-------pinterest---- ------- Papoulas douradas: Entre-linhas: Não podia ser amor

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Entre-linhas: Não podia ser amor

imagem escolhida por E.F.

     "A garota da rua 29 olhou pela enorme janela no sétimo andar de um prédio qualquer e resolveu que queria pular. Não era suicida nem depressiva, não tinha intenção de morrer ou matar, mas a loucura de abrir asas brancas pela fina pele das costas e simplesmente voar para longe daqueles olhos viciantes de café quente pareceu-lhe irresistivelmente dolorosa. Não pulou. Não pulou porque não podia ser amor, porque olhos castanhos são tão normais; normais demais para alguém admirar, mas ela admirou. Devastou-lhe o peito já tão devastado como uma adaga atravessando o músculo até sangrar, nem ligou. Mesmo quando soou o dia seguinte e o número do telefone dele lhe parecia em negrito no celular.

     A garota da rua 29 e blog 13 atravessou a avenida naquela tarde quente e ficou tentada a bater pega com o carro vacilante em velocidade que trotou frente a si. Não era louca nem masoquista, não tinha intenção de hospital ou cemitério, mas a sensação de ser a adrenalina a atiçar as borboletas no estômago ao invés da voz dele se tornou bem tentadora. Não se correu. Não se correu porque não podia ser amor, porque barba por fazer arranhando não é charme; e falta de charme não faz ninguém querer beijar, mas ela beijou. Dançou-lhe as bocas até seu adorável céu cinza voltar a ser azul "à lá mar".

     A garota da rua 29, blog 13 e chip 2 passou as fotos na internet até se cansar de ver o Pão de Açúcar e pensou em se mudar para o Rio de Janeiro. Não por faculdade ou emprego, não tinha intenção de deixar os amigos ou família, mas a esperança de esquecer aquele aroma em meio ao sabor da cidade grande quase a fez pegar o primeiro ônibus para tal destino, sem malas nem documentos. Não viajou. Não viajou porque não podia ser amor, porque cheiro de cigarro, cerveja e perfume é chato; e chatisse é pouco inspirador demais para alguém como ela, mas ela se inspirou. Tanto que agora escreve esse texto.

     Então já é meio tarde -de verdade, são quase duas da madrugada- para evitar que seu "Tum-tum, tum-tum, tum-tum" bata acelerado ao sentir o vibrar avisando uma nova mensagem ou para deixar de sonhá-lo quando finalmente vai dormir. Mas talvez seja meio cedo -de verdade, porque duas da madrugada é manhã- para falar que isso é tipo paixão ou que morre de ciúmes quando sabe que ele é tão mulherengo. Mas talvez seja o tempo certo -de verdade, [...]- para pegarem um avião e fugirem dos minutos, daí só não vale fugir sozinho. Porque nem que seja França ou Japão, isso é amor. E amor não acaba com distância nem determinação. E aliás, ela é uma ótima perseguidora. Mas não persegue, porque ainda que seja amor, não podia ser amor."

Luísa R. Viveiros, 16, Leopoldina-MG | BLOG


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